Ar no circuito hidráulico da embreagem produz pedal mole, curso maior e marcha difícil de engatar. A sangria elimina esse ar e, em uma parcela dos casos, resolve sem troca de peça. Mas ar que retorna depois de uma sangria correta é sintoma: significa vedação passando ou entrada de ar no circuito.
Por que o ar causa esses sintomas
O sistema é hidráulico e depende de o fluido ser incompressível. Ar é compressível: parte do curso do pedal é gasta comprimindo a bolha em vez de mover o atuador. O resultado é pedal mole, curso maior e curso útil insuficiente para desengatar a embreagem por completo — daí a marcha difícil, especialmente a ré.
Quando a sangria resolve sozinha
- Após reparo em que o circuito foi aberto
- Após troca de fluido malfeita, que introduziu ar
- Quando o nível do reservatório baixou demais e o sistema aspirou ar
- Em sistemas com pontos altos na tubulação, onde o ar se acumula naturalmente
Nesses casos, a sangria correta devolve o pedal firme e o engate normal, sem peça alguma.
Quando o ar é sintoma de outra coisa
Se o pedal fica mole de novo em poucos dias, o ar está entrando de algum lugar:
- Cilindro mestre com vedação interna passando
- Cilindro escravo ou atuador com vedação passando
- Conexão ou flexível com entrada de ar (que pode aspirar ar sem vazar fluido visivelmente)
- Nível do reservatório baixo por vazamento em outro ponto
Nesse cenário, sangrar de novo é adiar. O correto é localizar a origem.
O método importa
Sistemas de embreagem costumam ter pontos altos na linha onde o ar fica preso, e uma sangria convencional pelo sangrador nem sempre remove tudo. Existem três abordagens:
- Sangria por gravidade, lenta e simples
- Sangria com pressão aplicada no reservatório, que empurra o ar para fora
- Sangria a vácuo ou em contrafluxo (do sangrador para o reservatório), que é o método mais eficaz quando há ar preso em ponto alto
Quando o pedal não firma com o método convencional, é o contrafluxo que costuma resolver.
O que entra no serviço
- Verificação do nível e do estado do fluido
- Troca do fluido, quando está escuro ou contaminado
- Sangria pelo método adequado ao sistema
- Verificação de vazamento em mestre, escravo, flexível e conexões
- Teste de pedal e teste de engate, com atenção à ré
- Teste de estrada
O fluido também importa
O circuito da embreagem quase sempre compartilha o reservatório com o freio e usa o mesmo fluido, que é higroscópico. Fluido vencido absorve umidade, ataca vedações e reduz o desempenho. Se o fluido está escuro, a troca acompanha a sangria.
Preço e prazo
É um dos serviços mais baratos da oficina, resolvido em pouco tempo, com o carro liberado no mesmo dia. E é justamente por isso que vale como primeiro passo diante de pedal mole: custa pouco e, quando resolve, evita um orçamento de outra ordem.
Antes de aprovar uma embreagem inteira porque "a marcha não entra", peça uma sangria e um teste. Pedal mole com rotação normal e sem patinação é hidráulico até prova em contrário.
Como a Goes Monkey executa
Sangramos pelo método adequado ao sistema, avaliamos o estado do fluido e procuramos a origem quando o ar retorna. Se a sangria resolver, dizemos isso — e você não paga por peça que não era necessária.
Veja também troca do cilindro mestre da embreagem.
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